Biografia Rappin Hood

Nascido no bairro do Limão na cidade de São Paulo este sujeito homem
vem de origem humilde. Teve uma infância simples mas com a marca da
dignidade. Nunca lhe faltou o carinho dos pais. Nas férias, Rappin ia
para Araraquara terra natal de sua família. Era levado pelas mãos da
avó para ensaiar no coral da igreja católica e ser coroinha de missa.

Aos
14 anos começou a frequentar os bailes e criar as primeiras letras de
rap. Um dia em São Caetano na Dino’s ele subiu ao palco pela primeira
vez para cantar um rap em troca de meia dúzia de “doses”. A partir daí
ele nunca mais saiu dos palcos.

Começou a frequentar o metrô São
Bento, o point dos rappers. A batucada era feita nas latas de lixo que
ficavam dentro da estação e os cantores eram Thaide, Brown entre
outros. Todo sábado Rappin era presença certa no metrô.

Nos
anos 80 Rappin conheceu e descobriu a realidade das favelas, das
comunidades e os serviços de auto-falante. Foi nesta época que passou a
admirar os pagodes de raiz: Zeca, Fundo, Jovelina. Mas seu ídolo foi
Almir Guineto.

O caminho certo de Rappin Hood era realmente o
rap. Ele cantava sozinho, sem DJ, sem nada. Em 89 aconteceu um
campeonato de rap no salão Viola de Ouro com produção de William da
Zimbabwe. O vencedor foi Rappin Hood. Neste mesmo evento foram lançados
os RACIONAIS. William convidou Rappin Hood para ser um dos Racionais.
Só que Rappin já cantava com frequência no Clube da Cidade e no Chic
Show do empresário Luizão. Este convenceu Rappin a continuar no Chic
Show com a promessa de gravação de um disco. A triste conclusão foi que
nada acabou acontecendo e Rappin ficou fora do contexto. Como ele
participou de fanfarra na adolescência resolveu estudar para tocar
trombone.

Em 95, ano dos 300 anos da morte de Zumbi aconteceu um
grande evento no Anhangabau com os melhores grupos de rap. Eram 100.000
pessoas no parque e quando o PosseMente entrou foi um delírio. Ali
aconteceu o lançamento de “SOU NEGRÃO”. A MTV gravou o show e o clip do
PosseMente entrou na programação da emissora. Sucesso absoluto.

Em
96 receberam o prêmio revelação da equipe RapSoulFunk. Em 98 a música
foi lançada em vinil e cd em parceria com o DJ KL Jay no selo Raízes
Discos. Atingiram a venda expressiva de 18.000 cópias.

Em 99 os
músicos Anderson do Camorra, Max de Castro, Bernardo Vilhena e João
Marcello procuraram Rappin Hood para conversar a respeito do
PosseMente. João Marcello tinha gostado da participação deles na
coletânea do Sampa Crew e ficou interessado.

Entretanto
aconteceu um fato em 23 de novembro de 1999 no show da revista Raça
Brasil realizado pela Trama. Tive a feliz oportunidade de assistir ao
show de Rappin Hood e o procurei após a apresentação. “Preciso falar
com você” foram minhas palavras. Ele ficou um pouco assustado. Pensou
que tivesse feito algo errado. Qual nada. Confessei para ele que se um
dia algum grupo ou cantor de rap me convidasse para dividir uma faixa
eu iria aceitar com prazer. E imediatamente Rappin o fez. Fiquei feliz
e fui falar com João Marcello que reagiu do mesmo jeito entusiasmado.
Foi selado o compromisso.

Em 2001 Rappin Hood tem um programa na
105 FM todo sábado de 18h00 as 20h00, RAP DU BOM é o nome. Afinal ele
fez rádio comunitária durante dois anos na Rádio Heliópolis.

Antônio
Luiz Junior cujo nome artístico é RAPPIN HOOD transformou-se em artista
respeitado e reconhecido por todos os manos. Agora ele decidiu subir o
morro pra dizer que malandragem é trabalhar e a pivetada estudar.
Graças a Deus.

LECI BRANDÃO

 

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